sábado, 11 de abril de 2009

Um Último Ato

- Você não muda! Por que não? Todos mudamos. E você devia mudar. Você é só mais uma decepção, não entende isso? - Eu me viro e passo uma mão no cabelo, um sinal de frustração. Espero no silêncio. Silêncio. É só isso que existe em volta de mim no momento. - Não tem nada para falar? É claro que não. Você sabe que não tem sentido se defender, não é? É simplesmente inútil e faria você perder tempo falando qualquer desculpa idiota que eu não iria acreditar. Assim você economiza tempo de nossas vidas.
Eu saio andando pela casa tentando me acalmar. Chego no quarto e me deito na cama. Deixo as luzes apagadas, não me incomodo com o escuro. Já basta a iluminação que vem do outro cômodo. Só preciso relaxar. Fico somente ouvindo a minha respiração por algum tempo, me concentrando somente nisso. Mas os pensamentos insistem em surgir na minha cabeça. Suspiro derrotado e pego um cigarro, me odiando por fazer isso. Preciso acabar com esse vício, tenho que acabar com todos meus vícios. Fico tragando por alguns instantes, sentindo o cigarro me entorpecer. Começo a me lembrar de músicas, rostos e nomes. Vida escolar e adolescência. Tudo.
- Por que agora?
Faço essa pergunta em voz alta, embora eu seja o único no quarto. Eu não sei porque isso acontece agora. Essas coisas não me importam mais. Tudo mudou. Tudo muda, todos mudam. Posso sentir meu coração endurecendo com esse pensamento. Mas tenho que me acalmar. Ficar assim não irá me ajudar. Tenho que terminar o que comecei. Apago o cigarro no cinzeiro e ando em pequenos círculos ao lado da cama. Depois de alguns minutos me acalmo. Quase nada na minha mente, a não ser o que vou fazer nos próximos intantes. Saio do quarto e quase grito de frustração.
- Por que você ainda está aqui?! Vai embora! Eu não quero você aqui, você ainda não entendeu? Eu te
odeio!Por que você não me deixa em paz de uma vez por todas?!
Eu termino a frase gritando. Minha garganta dói. Todo meu corpo dói. Faço uma nota mental que diz: descançar assim que possível!
- Você me enoja. Me dá até dor de cabeça! Você é totalmente errada para mim e eu
me odeio por só perceber agora. Você tornou nosso relacionamento uma farsa e eu fui tolo de acreditar em tudo que você disse. Perdi todos por sua culpa. Vai embora e nunca mais apareça na minha frente!
Fico sem ar. Eu realmente deveria parar de fumar. Mas é um vício. Mas tenho que parar. Ela era um vicío para mim, o meu tipo preferido de heroína, mas se eu consegui dar um fim nisso, também vou conseguir dar um fim na nicotina.
Vou até o meu bar e encho um copo com whisky. Coloco algumas pedras de gelo e começo a beber. Sinto o ardente da bebida, descendo pela minha garganta. Aquecendo um pouco o meu coração de gelo. Bebo um, dois, três copos. Eu não devia ter tomado. Agora, vou perdoá-la. Como faço todas as noites.
Odeio isso. Por mais que as coisas mudem, algumas continuam sendo tão previsíveis.
Olho pelo canto do olho e vejo as cortinas caindo. As pessoas batendo palmas, pensando que tudo foi uma interpretação de um roteiro muito bem decorado. Ninguém pensa que o que aconteceu pode ser uma realidade. Uma triste realidade de duas pessoas que nunca deveriam ter ficado juntas. Isso tudo é totalmente errado. Amanhã irei me enganar de novo. Enganarei todo mundo, até ela. Só consigo falar tudo que sinto aqui, nessa farsa que chamo de trabalho. Viverei as mesmas mentiras e terei as mesmas ilusões.

3 comentários:

  1. nossa. fico mtu bem escrito e eu moh gostei!! adorei o tema aliais..
    nao sei pq me veio a mente o yuki como personagem principal... enfim.

    =]

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  2. Bee...axei mtoo legall a idéiaa do blog..alias adorei o tema...nós nunca podemos ter tanta certeza das coisas....pq mtas vezes nós passamos por situações e nem percebemos que estamos sendo enganadoss....e esse textoo ai quase me engano :P..
    eu ia continuar acreditando até o final que era uma história de verdade e não uma encenaçãoo se ele nao tivesse contadoo!! eheheheheh..
    Mas gostei muitoo! Muito criativo...
    Beijoss, Larii

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  3. A arte imita a vida, ou a vida imita a arte1

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